Suspeito de aplicar golpes em jogadores da dupla Gre-Nal é preso no Rio de Janeiro

Investigado teria se passado pelo técnico Luís Castro e causado prejuízo de R$ 22 mil ao atacante José Enamorado, do Grêmio

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Querotti

Central RS

Publicado em 02/09/2026, 08:34

Atualizado em 02/09/2026, 08:35

Suspeito de aplicar golpes em jogadores da dupla Gre-Nal é preso no Rio de Janeiro
— Reprodução

Uma operação conjunta das polícias civis do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro prendeu, nesta quarta-feira, um homem investigado por tentar aplicar golpes em jogadores e dirigentes ligados a Grêmio e Internacional. O suspeito foi localizado em Itaperuna, no interior fluminense.

Batizada de Operação Falso 9, a ação reuniu agentes da 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre e das delegacias de Cabo Frio e Itaperuna. Conforme a investigação, o homem usava identidades falsas para estabelecer contato com pessoas do meio do futebol e solicitar transferências de dinheiro.

O investigado foi identificado pela polícia como Lucas de Oliveira Eduardo. Ele permanecerá no Rio de Janeiro, onde também é investigado por suspeita de envolvimento em casos semelhantes.

Golpista teria se passado por Luís Castro

De acordo com a Polícia Civil, o suspeito utilizou o nome e uma fotografia do técnico do Grêmio, Luís Castro, para abordar atletas por meio do WhatsApp. O número empregado nas conversas tinha prefixo do Rio de Janeiro.

Em abril, o falso treinador teria iniciado contato com jogadores sob o pretexto de arrecadar recursos para uma ação social ligada ao futebol amador. O atacante colombiano José Enamorado acreditou que conversava com o comandante gremista e transferiu R$ 22 mil. Até o momento, o valor não foi recuperado.

A investigação aponta que o suspeito conversou durante vários dias com o atleta. Nas mensagens, perguntava sobre assuntos pessoais, rotina de treinamentos e desempenho esportivo. Também elogiava a dedicação do jogador e pedia que o contato não fosse compartilhado com os companheiros de equipe.

Para a polícia, essa estratégia buscava conquistar a confiança de Enamorado e impedir que outras pessoas identificassem a fraude.

Pedido envolvia suposta doação de cestas básicas

Depois de estreitar a relação com o jogador, o falso técnico apresentou uma campanha que supostamente auxiliaria uma instituição do Rio de Janeiro. O pedido envolvia a compra de 300 cestas básicas pelo valor unitário de R$ 75, totalizando R$ 22,5 mil.

O suspeito encaminhou uma chave Pix e afirmou que a conta pertencia a uma responsável pelo projeto. Enamorado transferiu R$ 22 mil em maio. Segundo a apuração policial, o dinheiro foi depositado em uma conta controlada pelo grupo investigado.

Após o pagamento, o atleta recebeu uma mensagem que simulava a confirmação da entrega das doações.

Outros jogadores desconfiaram das mensagens

A polícia identificou tentativas de abordagem contra outros integrantes do Grêmio. Algumas delas não avançaram porque os jogadores procuraram o treinador verdadeiro para confirmar as solicitações.

Em um dos episódios, o falso Luís Castro determinou que o zagueiro Walter Kannemann chegasse mais cedo ao Centro de Treinamento Presidente Luiz Carvalho, no bairro Humaitá, em Porto Alegre. O jogador desconfiou e constatou que a orientação não havia partido do técnico.

O suspeito também teria tentado enganar pessoas ligadas ao Internacional. Uma das abordagens teve como alvo o ex-jogador e ex-dirigente colorado Andrés D’Alessandro. Conforme a investigação, ele recebeu mensagens de alguém que fingia ser um conhecido, mas interrompeu a conversa antes de realizar qualquer pagamento.

Investigação começou em Porto Alegre

O caso ficou sob responsabilidade da 4ª Delegacia de Polícia da Capital porque a unidade atende a região onde estão localizados o CT e a Arena do Grêmio.

Depois de rastrear o suspeito, o delegado Gabriel Lourenço solicitou a prisão preventiva, decretada pela 2ª Vara de Garantias de Porto Alegre.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro apura a possível participação do investigado em outros golpes. Há registros de pedidos de dinheiro envolvendo o técnico Dorival Júnior, na época em que comandava a Seleção Brasileira, e dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Segundo o delegado Gabriel Lourenço, a passagem do suspeito pelas categorias de base do futebol teria facilitado as abordagens, pois ele conhecia expressões, rotinas e formas de comunicação comuns entre atletas e profissionais do esporte.

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