Quase 75% dos gaúchos dizem estar comprando menos do que há um ano

Percentual supera os 69% registrados no país; entre as regiões pesquisadas, Santa Cruz do Sul tem o maior índice, e Pelotas, o menor.

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Querotti

Central RS

Publicado em 25/09/2026, 10:36

Atualizado em 25/09/2026, 10:37

Quase 75% dos gaúchos dizem estar comprando menos do que há um ano
— Imagem ilustrativa gerada por IA

A redução do poder de compra já faz parte da realidade percebida pela maioria dos moradores do Rio Grande do Sul. Levantamento do Instituto de Pesquisas de Opinião (IPO) mostra que 74,8% dos gaúchos afirmam estar comprando menos do que há um ano.

Outros 15% disseram manter aproximadamente o mesmo nível de consumo, enquanto apenas 9% afirmaram estar comprando mais. Uma parcela residual não soube responder.

O índice registrado no Estado supera a percepção nacional. Em comparação apresentada pelo IPO com dados da Quaest, 69% dos brasileiros relatam redução das compras.

Entre os fatores apontados para explicar essa sensação está o preço dos alimentos. Em 12 meses, a alimentação acumula alta de 4,4%, segundo dados de inflação do IBGE, percentual próximo à inflação geral de 4,47%.

Apesar dessa proximidade no acumulado, os preços dos alimentos tiveram pressão mais forte durante o primeiro semestre de 2026. Entre os fatores relacionados ao movimento estão os custos de transporte associados ao diesel, a redução da área plantada de alguns grãos e alterações na oferta de produtos agropecuários.

Nos últimos meses, alguns preços começaram a apresentar recuo, mas novas pressões sobre o diesel podem voltar a interferir nos custos de transporte e, consequentemente, nos valores pagos pelo consumidor.

Endividamento também pesa no orçamento

A perda de capacidade de consumo ocorre em um cenário no qual outras pesquisas vêm mostrando maior comprometimento da renda das famílias.

Endividamento e inadimplência permanecem elevados, em um ambiente marcado por juros altos e expansão do acesso ao crédito. Gastos com apostas online também aparecem entre os elementos que passaram a disputar espaço no orçamento doméstico.

Para a diretora do IPO, Elis Radmann, a percepção mais negativa dos gaúchos em relação à média brasileira não é recente.

Segundo ela, esse comportamento aparece há cerca de duas décadas e pode estar relacionado, entre outros fatores, às dificuldades financeiras enfrentadas pelo Estado ao longo desse período. Na avaliação da pesquisadora, a limitação do investimento público fez com que parte da população passasse a assumir diretamente despesas maiores em áreas como saúde, segurança e infraestrutura.

Pelotas tem menor índice, mas maioria também relata perda

A percepção de redução do poder de compra aparece em todas as regiões pesquisadas no Rio Grande do Sul.

O resultado mais elevado foi identificado na região de Santa Cruz do Sul, onde 90,2% dos entrevistados disseram estar comprando menos. Na sequência aparecem as regiões de Ijuí, com 78,4%, e Uruguaiana, com 78,1%.

Pelotas apresentou o menor percentual entre as regiões analisadas. Ainda assim, dois em cada três entrevistados, ou 66,7%, afirmaram perceber perda de poder de compra.

A região formada por municípios como Venâncio Aires, Santa Cruz do Sul e Rio Pardo demonstrou uma visão especialmente crítica sobre a economia.

Segundo Elis Radmann, o resultado pode estar relacionado aos impactos econômicos provocados pelas enchentes e ao processo de reorganização enfrentado pelos municípios atingidos.

Mulheres e famílias de menor renda sentem mais

Os dados também revelam diferenças importantes conforme gênero, idade, escolaridade e renda.

Entre as mulheres, 77% dizem estar comprando menos. O índice sobe para 81,5% entre pessoas de 35 a 44 anos e chega a 79,8% entre entrevistados com Ensino Fundamental.

Na faixa de renda entre um e dois salários mínimos, 77,4% afirmam ter perdido capacidade de consumo.

Já a percepção de melhora aparece com maior frequência entre os mais jovens e nas faixas de renda mais elevadas. Entre pessoas de 25 a 34 anos, 11,8% dizem estar comprando mais. O percentual é de 10,3% entre entrevistados com Ensino Superior.

Entre aqueles que recebem mais de seis salários mínimos, 16,4% relatam aumento do poder de compra, o maior percentual registrado entre as faixas de renda.

De acordo com a diretora do IPO, o impacto sobre o orçamento das mulheres também aparece nas escolhas de consumo. Ela relata que despesas consideradas menos essenciais, especialmente relacionadas a cuidados pessoais e procedimentos de beleza, estão entre as primeiras a serem reduzidas quando é necessário reorganizar os gastos familiares.

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