IPCA-15 registra deflação de 0,40% em agosto, maior queda em quatro anos
Redução nas contas de energia elétrica, nos combustíveis, nas passagens aéreas e nos alimentos ajudou a derrubar a prévia da inflação oficial
Querotti
Central RS
Publicado em 26/08/2026, 10:23
Atualizado em 25/09/2026, 11:59

O Brasil registrou deflação de 0,40% em agosto, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). O resultado, divulgado nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa a maior queda do indicador desde agosto de 2022, quando a redução chegou a 0,73%.
Foi também a primeira taxa negativa em um ano. Em agosto de 2025, o IPCA-15 havia recuado 0,14%. No mês passado, o índice apresentou alta de 0,06%.
O resultado ficou abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que apontava queda de 0,32%, conforme levantamento da agência Bloomberg.
Inflação acumulada desacelera
Apesar da queda registrada em agosto, o IPCA-15 acumula alta de 3,09% em 2026. Em 12 meses, o índice passou de 4,52% em julho para 4,24%.
Com isso, a prévia da inflação voltou a ficar abaixo de 4,5%, limite superior do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central para o IPCA. Isso não acontecia desde abril.
O IPCA-15 funciona como uma sinalização do comportamento da inflação oficial, mas possui período de coleta diferente e não substitui o resultado mensal do IPCA.
Energia elétrica puxa queda
O grupo Habitação apresentou a maior redução em agosto, com recuo de 1,41% e impacto negativo de 0,22 ponto percentual no índice geral. O movimento foi influenciado pelo bônus de Itaipu, que proporcionou descontos temporários nas contas de energia elétrica de milhões de consumidores.
O benefício é calculado a partir do saldo obtido com a comercialização da energia produzida por Itaipu no ano anterior. Como o desconto tem efeito pontual, a expectativa é de que parte da redução seja revertida nos próximos meses.
Transportes também teve queda expressiva, de 1%, retirando 0,20 ponto percentual do IPCA-15. A redução nos preços das passagens aéreas e dos combustíveis contribuiu para o resultado.
Já Alimentação e bebidas recuou 0,57%, com impacto negativo de 0,12 ponto percentual.
Variação dos grupos pesquisados
* Alimentação e bebidas: **-0,57%**
* Habitação: **-1,41%**
* Artigos de residência: **0,04%**
* Vestuário: **-0,20%**
* Transportes: **-1%**
* Saúde e cuidados pessoais: **0,40%**
* Despesas pessoais: **0,66%**
* Educação: **0,46%**
* Comunicação: **-0,02%**
Entre os grupos que apresentaram alta, a maior variação ocorreu em Despesas pessoais, com avanço de 0,66%.
Diferença entre IPCA-15 e IPCA
O IPCA-15 é divulgado antes do IPCA e, por isso, costuma ser chamado de prévia da inflação oficial. A principal diferença entre os dois indicadores está no período de coleta dos preços.
Para o resultado de agosto, o IPCA-15 considerou os valores pesquisados entre 16 de julho e 14 de agosto. O IPCA, por sua vez, acompanha os preços durante o mês de referência.
A inflação oficial de agosto será divulgada pelo IBGE em 11 de setembro.
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